terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Dando a cara a tapa

Certa vez o imortal Luis Mendes - única voz viva que narrou o gol de Gigia em 50 – declarou que um dos momentos mais tensos da sua carreira, foi quando ele palpitou a favor da saída de dois jogadores do Flamengo da seleção brasileira. No lugar deles ele propunha que entrasse um tal de Pelé e um tal de garrincha.

Não havia Globo na época, a torcida do Flamengo era menor do que hoje, mesmo assim o radialista foi apedrejado em praça pública. Mas tratava-se de Luis Mendes, Garrincha e Pelé. Imagine o que seria se fossem simples mortais.
Seriam inevitavelmente condenados ao ostracismo.

Por isso é justificável – mas não aceitável - o temor dos jornalistas em falarem da final deixando os freqüentes erros a favor do flamengo em segundo plano. Como se isso fosse assunto para os panfletários de plantão, megalomaníacos, adeptos de possíveis teorias da conspiração.

Não que haja realmente favorecimento, mas a questão deve ao menos ser levantada. Assim como deve ser levantada a questão do patrocínio de uma empresa estatal há um clube privado, comprovadamente deficitário.

Mas esses serão assuntos que dificilmente serão levantados. Afinal, para a mídia, os dirigentes corruptos são somente aqueles que batem de frente com os interesses das emissoras, aqueles que fazem valer o direito do silêncio ou que denunciam certo tipo de parcialidade.

O futebol é só um esporte, mas os pequenos gestos denunciam os grandes defeitos de uma pessoa, de um país e de suas instituições.

Como toda unanimidade é burra e toda maioria é suspeita, clique aqui
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