
Vi aquele senhor atravessar os arcos, vindo da zona norte, em direção à parte globalizada da Lapa. Era negro, tinha os cabelos brancos e o sorriso amarelo. Na medida em que caminhava em direção a zona sul, ouvia o som dos tambores ficar distante.
Entrou em uma das ruas do centro do Rio, sentiu-se sufocado pelas imensas paredes concretas ao seu redor. Era como se fosse uma prosopopéia do samba, escondido, esquecido, quase imperceptível no meio de tanta técnica e alegoria. Era a poesia se calando perante à suntuosidade.
Seu nome era Paulo, Argemiro, Monarco, José ou João. Na manha cinzenta da quarta-feira de cinzas, trajava um terno branco. Sob o paletó uma camisa azul, seu chapéu havia caído na linha. Em tempos atrás seu terno codificaria que ele vinha de Oswaldo cruz. Hoje, não mais.
Poderia vir de qualquer outro região pobre e esquecida, mas que tem seus heróis não no samba, mas na grana. Por mais que aquele azul - que não era do céu, nem era do mar - fosse inconfundível, poderiam achar que ele vinha de outra agremiação. Isso, é claro, se ele fosse percebido. Pois numa época, que samba vira adorno para roda gigante, velhos negros de ternos brancos, não são notados
Ele entrou na rua Primeiro de Março, a artéria aorta do coração econômico do Rio de Janeiro. Ela, novamente, de vagar, começava a pulsar. Na medida em que o coração boêmio da cidade parava, pois o sangue – leia-se dinheiro – começava, novamente a circular em direção ao centro da cidade.
Enquanto o silêncio predominante, era cortado por alguns carros e alguma brisa, o senhor ouviu o ecoar de uma cuíca. Desafinada, sustenida, quase como um derradeiro suspiro de um doente terminal. Como o último acorde de uma ópera.
Imediatamente veio na sua cabeça uma melodia, e em tom de prece ele cantou: Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar.
2 comentários:
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tec
Toda hora rola um insight
Já fui fã do jethro tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash...
Fica ligado no link
Que eu vou confessar my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho engov
Eu tirei o meu green card
E fui prá Miami Beach
Posso não ser pop-star
Mas já sou um noveau riche...
Eu tenho sex-appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team
De dia um macho man
E de noite, drag queen...
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat
A gente brinca de se iludir, "todo samba no fundo é um canto de amor", se é o amor que sustenta o samba, não é a toa que o samba tá em baixa...
Fantástico o que você escreveu!
Parabéns João!
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