Tudo bem que você andava descontente com o mundo e não era pra menos. Mas pra que a pressa? Você, nesses 95 anos, sempre primou pela calma. Tudo bem que nos últimos meses a vida estava dura; não bebia, não fumava, nem compunha. Nem mesmo, comia feijão aos sábados na quadro, mesmo quando te homenageavam na roda.
Naquele sábado, sei que não foi diferente, você não quis descer. Nesses momento de tédio, a insatisfação com mundo vem a tona, né? O Eurico no seu Vasco, o funk no seu samba, a polícia no seu feudo. A presença branca nas quadras, que escondia a privatização do samba, e, quase imperceptivelmente, expulsava os garotos da comunidade para fora da feijoada da estação primeira, que agora era um privilégio de quem possuía Visa Electron.
Você preferiu ficar em casa, comeu o feijão da Mangueira (esse sim continua o mesmo) em uma quentinha enquanto ouvia, num velho LP, uma parceria sua com Cartola. Deu saudades e, durante a digestão e audição, você foi visitá-lo.
Mas podia ter esperado. Nem viu o Dinamite vencer o Eurico. E o pior de tudo, foi uma semana antes de ver o Paulinho também da viola, do Vasco e do subúrbio tocar para um Circo lotado e inflamado. Perdeu, poderia chegar ao céu e dizer convicto ao Cartola, que o samba vive.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
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