segunda-feira, 9 de junho de 2008

Muito Além do tráfico

Ser humano é um ser muito egoísta, classista e corporativista. Mas também é covarde pra burro. Morre abraçado aos seus interesses, exceto quando encontra alguém mais forte pela frente e, então, teme a morte. Acho que essa é lição que se pode tirar do ocorrido com os repórteres do Dia.

Aquela classe média indignada que foi pra cima dos dois adolescentes desvairados do caso Nardone, sumiu e não deu um pio sobre o caso. Os jornalistas (ô raça!) e seus corporativismo se revoltaram com isso, afinal se acham mais importantes que a Isabella e querem mais atenção.

Mas nessa egotrip, um dos principais culpados por toda essa história não foram lembrados, que são os donos do Jornal.

Tudo bem que existem aqueles velhos chavões – e por serem velhos e chavões, são totalmente contestáveis – de que o repórter tem que ir aonde está a notícia e de que a liberdade de expressão está acima de tudo. Mas os donos de veículo sabem mais que ninguém que há limites pra o trânsito do repórter e que a liberdade de expressão é algo desprezado até pelos próprio jornalistas.

Quer dizer então, que não sabiam que se meter no meio de uma milícia era perigoso? Sabiam – empregados e empregadores – e foram em nome do dinheiro. Agora os dono se esquivam dizendo que não sabiam da reportagem e que a impediriam, caso soubessem. Ou seja, o velho argumento patronal do século XVIII.

Este episódio não é o ápice da guerra do tráfico. É apenas mais um de uma guerra, anterior e inerente, entre capital e trabalho.

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